Review 1982 – O conturbado começo e o primeiro vencedor

Após a apresentação dos carros, passo adiante, para a primeira corrida da temporada de 1982, em Kyalami, na África do Sul. Mas, antes de falar da corrida, é impossível não falar da guerra entre a FISA, do francês Jean-Marie Balestre e a FOCA de Bernie Ecclestone, que começou em 1979, e não teve fim ainda no começo de 1982.

Além disso, houve uma grande polemica em relação aos motores turbos, que eram mais potentes que os convencionais Ford Cosworth que a maioria das equipes utilizavam.As equipes que fabricavam seus próprios motores, Ferrari Renault e Alfa Romeo, levavam certa vantagem para outras. Já outras equipes tiveram que pedir motores para outras fabricantes, como é o caso da Brabham, que conseguiu motores com a BMW.

Para que a briga ficasse pior, o GP da África do Sul era a 1200 metros de altitude, favorecendo totalmente as equipes com motores turbo. Outra polêmica adicional foi o fato da FISA decidir que os pilotos tivessem Super-Licença obrigatoriamente, algo parecido com carteira de motorista, para habilitar apenas pilotos que tivessem, no mínimo, completados 300 km em testes em carros de Fórmula 1.

Outra coisa, que só fez piorar tudo isso, foi uma cláusula “leonina’, que proibia os pilotos de mudarem de equipe durante a temporada.Com isso, alguns pilotos assinaram o contrato sem ler essa cláusula. Lauda, que retornou a categoria, chamou a atenção do líder da GPDA (Associação dos Pilotos de Grande Prêmio), que era o francês Pironi, da Ferrari, sobre essa e outras cláusulas, e decide renegociar os contratos.

Após ouvirem um belo NÃO da FOCA e da FISA, os pilotos decidiram tomar uma atitude radical: fazer uma greve. Na sexta feira, um dia antes do treino para a corrida, Lauda pega um carro e coloca todos os pilotos dentro, os levando até o Sunnyside Park Hotel, em Joanesburgo, prometendo que só sairia dali quando a situação fosse resolvida. Pironi ficou no circuito para tentar resolver a situação.

Bernie e os organizadores do GP da África do Sul já estavam cansados. Bernie queria despedir todo mundo por ‘justa causa’, e Balestre queria suspendê-los indefinidamente, ‘sequestrando’ as Super-Lincenças, e a corrida sul-africana estava seriamente ameaçada, provocando somente prejuízo para os organizadores.

Sexta à noite, sem nada resolvido, Balestre foi ‘atacado’ pelas esposas e namoradas dos pilotos durante seu jantar, com pães sendo jogados em sua direção. Lauda, sabendo que as equipes queriam tirar todos os pilotos do hotel em que estavam a força, levou todos os pilotos a um salão que tinha piano, e todos foram buscar colchões para dormirem.Elio de Angelis, pianista profissional, e Gilles Villeneuve, trompetista também profissional, ficaram responsáveis por destrair a todos durante a “confusão”.

Teo Fabi, da Toleman, conseguiu escapar de tudo isso se aproveitando a uma ida para a casa de banho. Depois de muita conversa e negociação, Pironi, Balestre e Ecclestone finalmente chegaram em um acordo, e a tal cláusula contestada por Lauda foi banida. Sendo assim, o GP pode ser realizado normalmente.

Nos treinos, como era esperado, os carros com motores turbo dominaram. René Arnoux, da Renault, fez a pole, com Nelson Piquet, da Brabham marcando a segunda melhor marca. Na segunda fila estavam o canadense Gilles Villeneuve, da Ferrari, e o italiano da Brabham, Riccardo Patrese. Na terceira fila, estavam os franceses Alain Prost, da Renault, e Didier Pironi, da Ferrari. Na quarta fila largaram as Williams de Keke Rosberg e Carlos Reutemann, nessa ordem.

Na largada, Arnoux permanece na liderança, acompanhado por Nelson Piquet e Gilles Villeneuve. Mas, os dois pilotos abandonaram cedo demais com problemas em seus carros. Com isso, Pironi assumiu a segunda posição com Prost em terceiro. Prost, porém, teve um pneu furado, e entrou nos boxes para trocá-lo, voltando na oitava posição, mas não e demorou muito para começar a se recuperar.Voando na pista, fazendo uma série de voltas rápidas, Prost ultrapassou Arnoux e assumou a liderança da prova na volta 68, a nove do final da corrida, e venceu.

O argentino Reutemann, da Williams, ainda conseguiu superar René, conseguindo um segundo lugar, deixando o terceiro posto para o francês da Renault. Pironi, com problemas no turbo de seu carro, arrastava-se na pista, e chegou em décimo oitavo lugar, a seis voltas do líder.  Niki Lauda terminou a corrida em quarto lugar, Keke em quinto e John Watson em sexto, completando a lista dos seis que pontuaram na prova.

Mais fotos da greve dos pilotos:


Publicado em novembro 23, 2010, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. as fotos dessa greve são hilárias! tem a do Piquet que é mto mais mto gay!kkkkkk

    belo trabalho, cara, tá ficando bem legal!

  2. Muito bom esses artigos. Tô ainda querendo a foto dos pilotos jogando bola nessa greve. hehe

  3. Gostei do post e das fotos. De facto, hoje em dia isto é raro: todos os pilotos a dormirem no mesmo local. Numa era de “motorhomes” e egos inflamamdos, iriamos ver algo assim hoje em dia? Hmmm… tenho dúvidas.

  4. one can argue that it can go both ways

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