Gunnar Nilsson – Um talento levado pela morte

Nos anos 70, era comum que pilotos morressem nas pistas, devido a grande falta de segurança  tanto das pistas quanto dos carros. Até uma falta de sorte de um piloto poderia causar um trágico acidente, como Tom Pryce em 1977, na África do Sul. Mas, o caso de Gunnar Nilsson foi diferente desses pilotos.

Sua estreia na Fórmula 1 foi em 1976, substituindo, curiosamente, seu grande amigo e também sueco Ronnie Peterson, depois de um desentendimento de Ronnie com o então chefe da Lotus, Colin Chapman após o GP do Brasil, em Interlagos. Sendo assim, Nilsson entra na Lotus para tentar substituir a altura seu amigo, que iria para a March. Sua estreia foi no GP da África do Sul, em Kyalami.

Mas, foi depois da segunda corrida da temporada que Gunnar Nilsson começou a mostrar seu talento e sua velocidade na Fórmula 1 e para Colin Chapman. Já na sua terceira corrida da temporada, conseguiu um terceiro lugar em Jarama, nas Espanha, e mais um terceiro lugar na temporada, dessa vez na Áustria, fora o quinto lugar na Alemanha e o sexto lugar no Japão.

Terminou a temporada na décima posição com 11 pontos, 11 a menos que o primeiro piloto da equipe, o italo-americano Mario Andretti. Apesar de pouco para muitos esses 11 pontos, o que Nilsson fez durante a temporada foi o suficiente para que Coli Chapman o mantesse na equipe na próxima temporada.

Em 1977, a Lotus consegue colocar um carro mais competitivo do que o de 1976. Já na primeira corrida da temporada, Nilsson consegue um quinto lugar em Interlagos, e repetiria o mesmo quinto lugar em Jarama. Mas, foi em Zolder que seu melhor momento na Fórmula 1 aconteceu. Gunnar Nilsson dividia a segunda fila do grid com o sul-africano Jody Scheckter, da Wolf, com ambos atras do pole Andretti e do segundo colocado do grid, John Watson.

Em meio a uma forte chuva, a largada foi dada, com Watson saindo melhor que Andretti, mas os dois se tocariam pelas primeiras curvas do circuito e abandonariam ainda antes da primeira volta da corrida. Scheckter assumiu a liderança da prova com Nilsson em segundo. Mas, na metade para o final da corrida, a pista começou a secar, e os pilotos começaram a parar nos boxes para trocar os pneus.

Nilsson se deu muito bem, e assumiu a liderança da corrida após a troca dos pneus, e a menteve até o final da corrida. Para completar, seu amigo Ronnie Peterson ainda chegaria em terceiro lugar. No pódio, um mais que feliz Nilsson comemorava aquela que seria sua única vitória na Fórmula 1.

A próxima corrida do calendário seria justamente na Suécia, que recebeu um ótimo publico, até por causa do resultado da última corrida. Mas, infelizmente, os dois suecos não tiveram a mesma sorte que tiveram em Zolder. Ronnie Peterson abandonou na sétima volta e Nilsson na volta 67. O último pódio de Gunnar Nilsson será em Silvertone, na Inglaterra, corrida que foi ganha por James Hunt. Sua última corrida foi o GP do Japão e terminou o campeonato em oitavo lugar no mundial de pilotos, com 20 pontos.

Mas, durante a temporada, Nilsson começou a ter fortes dores de cabeça que piorava cada vez mais. Logo que a temporada acabou, Nilsson fez uma serie de exames até descobrir que sofria de um cancro testicular, muito comum entre os homens jovens daquela época. Mas, seu caso já era grave e os médicos já não davam muito tempo de vida para o suéco. Antes mesmo de sabe da doença, ele tinha assinado com a Arrows para correr em 1978.

Nilsson foi tratar de sua doença em um dos melhores hospitais do mundo na  área Oncologia, que era o Chaning Cross, em Londres. Nilsson reparava no sofrimento de várias crianças que também eram submetidas aos mesmos tratamentos que Nilsson, com quimioterapia e radioterapia, mas o suéco sempre reusava os sedativos, pois achava que seriam melhores aplicados nas crianças.

Enquanto isso, muitos de seus amigos que estavam na Fórmula 1 homenageavam Nilsson como podiam, mostrando como ele era  querido. Mario Andretti, por exemplo, dedicou sua vitória em Zolder para Nilsson. Curiosamente, Nilsson foi substituido na Lotus pelo seu amigo Peterson, o qual Gunnar tinha Substituido na equipe a dois anos atrás.

Mesmo sabendo que não teria chances de viver por muito tempo, os acontecimentos em Monza precipitaram seu fim. Ronnie Peterson morre, e um incosolável e fraco Nilsson fez questão de ir ao funeral de seu amigo, em Örebro, cidade natal de Peterson. Gunnar Nilsson voltou para Londres para morrer, um mês antes de completar 30 anos.

Um ano depois de sua morte, sua mãe resolveu lançar o Gunnar Nilsson Cancer Foundation, que se dedica a investigação e tratamento do cancro. Alguns anos após a morte de sua mãe, toda a fortuna foi revertida para a fundação, que se tornou em uma das mais poderosa de seu pais. Graças aos trabalhos cientificos, o cancro testicular tem cura em mais de 90% dos casos, contra 10% de 30 anos atrás.

Para ajudar a fundação de Nilsson, foi realizada uma “corrida” extra-campeonato em 1979, a Gunnar Nilsson Memorial Trophy, no dia 3 de junho, em Donington Park, na Inglaterra. Foi uma espécie de corrida contra o rélogio para ver quem alcançava o melhor tempo do circuito naquele dia.

Alan Jones, James Hunt, Mario Andretti, Nelson Piquet e Kupert Keegan foram os cinco únicos pilotos que participaram do evento, que aliás, foi oficialmente a última vez de James Hunt na Fórmula 1. O melhor tempo foi da Williams de Alan Jones, com o Wolf de Hunt em segundo, A Lotus de Andretti em terceiro, Nelson Piquet no “Brabham-vetoinha” em quarto e Kupert com sua Arrows em quinto.

A rápida carreira de Nilsson na Fórmula 1: 32 corridas disputadas, com 1 vitória, 1 volta mais rápida, 4 pódios e 32 pontos somados entre 1976 e 1977, todos correndo pela Lotus. Sua primeira corrida na Fórmula 1 foi o GP da África do Sul de 1976 e sua última foi o GP do Japão, em Fuji, 1977. Sua única vitória foi no GP da Bélgica, em Zolder, 1977, aonde também fez sua única volta mais rápida na Fórmula 1.

 

Video da sua única vitória na Fórmula 1, em Zolder:

Publicado em março 7, 2011, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. 9 Comentários.

  1. boa Daniel! Belo texto cara, muita coisa sobre o Gunnar que eu não sabia, legal!

  2. Nem me lembrava que ele tinha vencido uma corrida.
    Daniel, valeu pela lembrança e por mostrar como era o Homem por trás do grande piloto.
    Você poderia enviar para o Fernando Alonso esse texto.

  3. Apenas algumas correções: o piloto chamava-se Rupert Keegan. O hospital londrino é o Charing Cross Hospital. E uma adequação: cancro (denominação utilizada em Portugal), para quem não sabe ou não se apercebeu, é câncer (denominação utilizada no Brasil).

  4. japan is in a crisis right now

  5. É uma pena,que tenha morrido de câncer,ele parecia ser um piloto promisssor,já que ele aos poucos estava começando a “pegar o jeito” nos F1.

    E olha que a Arrows do início de 1978,não era um carro ruim.

  6. Não entendo essas coisas, o câncer aparece, mata a pessoa e morre junto com ela, depois aparece em outras pessoas seguindo a matança. Fico chocado com essas coisas, Gunnar tinha apenas 30 anos e fazia o que mais gostava na vida, imagina o drama da pessoa sabendo que vai morrer logo. Quando é com criança a revolta é maior, não aceito essas coisas…

    Que fique em paz Gunnar onde estiver…

  7. Essa vida não vale nada , descanse em paz , GRADE GUNNAR !

  8. Parabéns pelo post !

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